Itália aprova centralização dos pedidos de cidadania por descendência: o que muda e como se preparar
- marketing479523
- 16 de jan.
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No dia 14 de janeiro de 2026, o Senado italiano aprovou definitivamente o DDL n. 1683, um projeto que revisa serviços para cidadãos e empresas no exterior e muda, de forma relevante, a engrenagem do reconhecimento da cidadania italiana por descendência (ius sanguinis).
A proposta foi aprovada com 76 votos a favor e 55 contra. E, até aqui, consta como aprovada e ainda pendente de publicação (etapa formal necessária para a entrada em vigor).
A seguir, explicamos o que muda na prática — e o que você pode fazer desde já para não ser pego de surpresa.
1) O que foi aprovado, em termos simples
A lei tira dos consulados (onde hoje tramita a maior parte dos processos administrativos de ius sanguinis) a responsabilidade de reconhecer a cidadania de adultos, transferindo essa etapa para um órgão central em Roma, dentro do Ministério das Relações Exteriores (MAECI).
Ponto importante: os consulados não “somem” do processo. Eles continuam com funções específicas — por exemplo, processos ligados a menores e outras atividades consulares relacionadas à cidadania.
2) Quando isso começa a valer
A lei prevê regras de transição e define que os trechos que efetivamente transferem a competência para Roma passam a ser aplicados a partir de 1º de janeiro do terceiro ano seguinte ao ano em que a lei entrar em vigor.
Na prática, se a lei entrar em vigor em 2026 (após publicação), a centralização tende a começar em 1º de janeiro de 2029.
Além disso:
Pedidos recebidos antes do marco de transição continuam sendo tratados pelos consulados.
Até a transição, cada consulado passa a ter um limite anual de recebimento (com regra de cálculo e mínimo).
Nos dois primeiros anos após o início do modelo centralizado, o órgão em Roma também terá um teto anual de recebimento.
3) O que muda no “como fazer” o pedido
O texto aprovado descreve um fluxo mais “centralizado” e com exigências operacionais claras, incluindo:
Envio de documentação em formato físico (originais) por via postal, com custos de envio a cargo do requerente.
Possibilidade de o MAECI contratar operadores para logística, recepção, digitalização e arquivamento, com custos também relacionados ao usuário.
Comunicações preferencialmente eletrônicas durante a tramitação.
Prazo máximo de conclusão do procedimento administrativo fixado em 36 meses.
Em outras palavras: além da fila, o processo passa a depender de um sistema nacional com regras unificadas, recebimento limitado e um rito logístico mais rígido.
4) Por que isso impacta tanto a América do Sul
Países como Brasil e Argentina concentram um enorme volume de descendentes italianos. Quando o Estado italiano cria:
centralização em um único polo,
teto anual de recebimento, e
prazo formal de até 36 meses,
o efeito esperado é: mais concorrência por “vaga” de protocolo, maior exigência documental e mais importância do planejamento (retificações, certidões corretas, padrão de nomes, etc.).
Isso não significa que “o direito acabou”. Significa que o caminho administrativo pode ficar mais seletivo, lento e técnico.
5) E o que aconteceu com o MAIE na votação
Esse tema também gerou repercussão política entre representantes ligados às comunidades no exterior. Um dado verificável: na votação final na Câmara dos Deputados (quando o texto ainda era o A.C. 2369), o deputado Franco Tirelli aparece como “Astensione” no registro oficial.
Para famílias ítalo-descendentes, esse contexto importa menos pelo “jogo político” e mais por um ponto prático: a regra foi aprovada e o planejamento passa a ser decisivo.
6) Como a Vicenza recomenda se preparar (sem pânico, com estratégia)
Aqui vai um checklist bem objetivo do que costuma definir quem avança mais rápido quando regras endurecem:
1. Mapeamento da linha
Quem é o ascendente italiano? Onde estão os pontos de ruptura (naturalização, datas, divergências)?
2. Documentação sem “surpresas”
Erros pequenos de grafia, datas e nomes compostos tendem a virar grandes problemas quando a análise fica padronizada.
3. Retificações com antecedência
Se precisar retificar certidões no Brasil, faça isso antes. Retificação é o tipo de etapa que consome tempo e atrasa todo o plano.
4. Planejamento por janela
Se a centralização começa, em termos práticos, a partir de 2029 , o período 2026–2028 tende a ser uma janela importante para quem quer organizar e protocolar com mais previsibilidade (sempre avaliando o cenário do consulado e as regras aplicáveis ao caso).
5. Avaliar alternativas viáveis
A lei preserva competências fora do consulado/órgão central em situações específicas, por isso, em alguns perfis, pode fazer sentido estudar rotas alternativas (sempre com análise técnica do caso).
Conclusão
A aprovação do DDL 1683 sinaliza uma mudança estrutural: o reconhecimento administrativo do ius sanguinis deixa de ser “consulado por consulado” e caminha para um modelo nacional, centralizado e com limites de entrada.
Para quem é descendente e está “pensando em começar”, a mensagem é simples: organização vira vantagem competitiva. Quem antecipa a documentação, corrige inconsistências e define uma rota adequada tende a sofrer menos com as próximas filas.



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