Natitaliani protocola intervenção na Corte Constitucional contra o Decreto-Lei 36/2025: o que isso significa para descendentes?
- 6 de fev.
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A discussão sobre a constitucionalidade das mudanças na cidadania italiana por descendência (iure sanguinis)ganhou um novo capítulo importante: a associação Natitaliani comunicou que protocolou oficialmente um ato de intervenção junto à Corte Constitucional da Itália nos processos que analisam o Decreto-Lei nº 36/2025, convertido na Lei nº 74/2025 — norma que impactou significativamente o regime de reconhecimento da cidadania para italianos nascidos no exterior.
A audiência para análise das ordinanze (remessas de questões à Corte) está marcada para 11 de março, e esse movimento reforça que o debate deixou de ser apenas público ou político: ele agora avança de forma técnica e estruturada dentro do sistema constitucional italiano.
O que foi protocolado pela Natitaliani?
Segundo a comunicação da associação, o documento de intervenção foi elaborado por dois professores constitucionalistas da Universidade de Pisa: Simone Marinai e Andrea Pertici. O objetivo é levar à Corte argumentos jurídicos próprios, voltados à proteção dos interesses e direitos dos italianos nascidos e residentes no exterior, diretamente afetados pelas mudanças trazidas pela reforma.
Essa estratégia busca dar densidade técnica e credibilidade acadêmica ao debate, demonstrando impactos sob a perspectiva de direitos fundamentais, e não apenas como reivindicação social ou mobilização pública.
O que é um “ato de intervenção” no processo constitucional italiano?
É importante entender o que esse instrumento significa na prática:
O ato de intervenção não transforma a entidade interveniente em “parte principal” do processo.
Ele permite que um sujeito qualificado (como uma associação representativa) apresente argumentos jurídicos que possam contribuir para o julgamento.
A aceitação formal do protocolo não significa que a Corte concorda com o conteúdo — mas autoriza que o texto passe a compor o conjunto de elementos examinados pelos juízes.
Em resumo: é uma forma de participação qualificada dentro do processo, ainda que sem garantias sobre influência ou resultado.
Por que esse movimento é relevante agora?
Porque sinaliza uma mudança de estágio: o tema passa a ser tratado com foco no núcleo jurídico-constitucional, com argumentos construídos para dialogar diretamente com os princípios analisados pela Corte.
Na comunicação, é mencionado que a intervenção busca enfrentar tecnicamente aspectos como:
igualdade
proporcionalidade
proteção da confiança legítima
direitos ligados ao status pessoal
Esses são pontos centrais quando se discute se uma norma ultrapassa limites constitucionais, especialmente quando produz efeitos amplos sobre populações fora do território italiano.
O que pode acontecer a partir de 11 de março?
O julgamento ainda está aberto e não existe resultado garantido. A própria Natitaliani adota um tom de prudente otimismo, reconhecendo que a decisão final cabe exclusivamente à Corte Constitucional.
O que é certo: o desfecho tende a ter impacto direto sobre o modelo de cidadania que a Itália pretende aplicar às suas comunidades no mundo — especialmente no que envolve descendentes e o reconhecimento pelo vínculo de sangue.
O que fazer enquanto o cenário evolui?
Enquanto o debate jurídico acontece, o melhor caminho é agir com estratégia e organização:
Evite decisões por ansiedade ou boatos: o tema está em análise constitucional e pode sofrer interpretações e desdobramentos.
Organize sua documentação e linha genealógica: isso é o que mais acelera o processo quando houver clareza sobre o caminho.
Acompanhe fontes confiáveis e orientação especializada: mudanças legais exigem leitura técnica — e muitas vezes variam na aplicação prática.
Na Vicenza, acompanhamos de perto os desdobramentos relacionados ao Decreto-Lei 36/2025 e à Lei 74/2025 para orientar cada caso de forma clara, segura e bem estruturada.



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